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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Velho

Velho é objeto de olhares implacáveis por parte dos mais jovens e até mesmo desmoralizado por eles em caso de um desentendimento, como o que me aconteceu, quando um sujeitinho tenebroso quase me bateu, ou pensou que pudesse fazê-lo, sem nem ao menos considerar que eu, um velho, pudesse reagir baseado na inteligência, com algum golpe mais espetacular e, capaz de por a lona, justamente àquele que se julgava invencível para a contenda. Um velho não é considerado para nada. Não tem força física, não tem resistência, vive apreensivo com tudo e parece sempre frágil demais, necessitando cuidados para não ser derrubado. Se venceu na vida, é vencido do mesmo jeito e se não venceu,... vale sempre alguma coisa de modo geral, pela aposentadoria e bens que mantenha em seu próprio nome.  Velho, de fato, vive meio que dia por dia, usando o dia para extrair dele mais um sabor, um olhar, uma história qualquer. Velho mal consegue disfarçar a desconfiança que tem de si mesmo, mas detém certos valores. Valores na qualidade da sua própria ironia, que não deixa de mostrar aos que se julgam imunes ao tempo. Percebem o quanto correram de um lado para o outro inutilmente, o quanto perderam bebendo errado com pessoas erradas, o quanto gastaram viajando para nada, para agradar a quem jamais pensou em retribuir coisa alguma, ou sentiram paixão por alguém, investindo sentimento nisto, sem nada como resultado e de custo absurdo, se considerarmos o tempo como fator de verdadeira importância. Por perceber tudo com muito mais clareza nos dias de velhice, fica, apesar do cansaço, um sabor que funciona como troco obrigatório, para ser dado aos que mostram... Olhares implacáveis.  

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