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domingo, 13 de novembro de 2011

Xurupita

É interessante a vinda da minha filha em nossa casa e, preocupante ver a minha neta no estado atual da sua vidinha dominadora dos - pai e mãe embasbacados pelo poder manipulador de uma criança no maravilhoso mundo novo, onde tudo se ordena, por outro poder, o poder de compra de cada um. Compra-se teoricamente, de tudo, inclusive segundos de aparente sossego de uma criança, que enquanto pensa na próxima travessura, alivia a todos, que aproveitam tais momentos para viverem suas próprias vidas, abrindo latas de cerveja, olhando a TV, falando as mais fúteis bobagens e,... tudo, por uma consciência, de que em minutos, fatalmente, a criança já estará - por exemplo, enfiando o controle da televisão, dentro da água do cachorro e o cachorro, fica sumido nesses dias de domínio, parecendo ser mais esperto do que todos nós. Também a gata se manda para locais como o telhado, acima das investidas da pequena rainha, cujos desejos são atendidos - todos, numa sucessão infindável, sob seu olhar - diria que até cansado, de ver tantos desejos serem tão prontamente atendidos. A mãe, que é minha filha e foi criada de um modo parecido, descontado apenas algumas das maravilhas do novo mundo, que eram um pouco menos, joga suas esperanças na creche. __Ah! Esse ano ela vai pra creche. Lá vai conviver com as outras crianças e vai aprender. Pergunto: Aprender o quê? Provavelmente aprenderá como cobrar mais, devido ao abandono das horas passadas longe dos pais inoperantes. Tudo será aprendido em conformidade com as outras crianças, cujos pais, passam exatamente os mesmos problemas. Diria que a parceria da creche, com outras crianças, fará com que a nossa Xurupita, amplie seus conhecimentos para impor ainda mais, por ter sido posta numa creche, de onde os pais, esperam um milagre, esperam que transformem seus filhos em crianças calmas, destas que ficam quietas, sossegadas, que façam coisas receptivas, entendendo que são amadas e que não precisem ser chamadas de hiper ativas - nome novo das crianças mal criadas.
No fogo amigo da criação de nossos filhos, fica uma certeza, a de que pensamos nossos filhos como a extensão de nós mesmos e eles, os filhos, querem mesmo, é serem mais eles, ainda desconhecidos deles mesmos e que querem descobrir. Diferente, é claro, do que nós os imaginamos.  

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