Translate

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Novo

                                                                             

Novo como acontecimento dá vigor ao ordinário e extrai força dos músculos aborrecidos.
Dá razão ao absurdo e saúde ao moribundo.
Um cântico para desfazer-se das teias que nos tornam cúmplices das aranhas oportunistas.
Mel para os lábios embeiçados.
Novo é a promessa do depois, a pirueta sem culpa e o rumo do vento como direção.
Pelo novo entregar ao passado o que lhe pertence, seu mau cheiro, ranço e a cobiça.
A passagem só de ida, como flâmula sacudindo ao vento e livre porque há vento.
O cheiro do novo mescla a mente alvoroçada pela esperança e aguça os sonhos mais cobiçados.
Viver o novo é saborear um manjar, fartar-se e ser injusto sem a culpa.
É caçoar, subestimar a intriga, o defeito. Jogar fora do jogo à lata velha enferrujada e mal enjambrada.
Rir por dentro e por fora. Ir à forra por ser novo porque o amanhã será de outro, como alternativa, entre permanecer ou seguir a prescrição do futuro, onde mapas dos caminhos dormem a espera do destino.
Novo ressurge para afrontar, numa reciclagem absolutamente integrada as leis inexoráveis do universo onde os sonhos, a exemplo, transitam imunes e alforriados para abrir as páginas mais íntimas de uma vida e reparar danos profundos, pelo novo, como cavalaria de uma guerra cujas baixas se espalham no tempo perdido.
Em muitos casos se impõe o novo, como em outros cabe a opção pelo velho, onde a dor crônica habita os ossos das conjunções mal cuidadas. 01.06.11