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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Vaclav Havel



Por muito tempo guardei um texto de Havel, publicado no JB quando corria o ano de 1990 +/-. Foi a primeira vez na minha vida que recortei uma tira de jornal e colei atrás da porta do guarda roupa. Depois, nunca mais fiz  nada igual. No texto ele deixava claro que sua estada no poder da Tchecoslováquia era qualquer coisa de incompreensível para ele, absurda até, tendo em vista sua aversão pelo poder. O texto, que reli muitas vezes para as pessoas, fez de mim um seguidor de Havel, um seguidor distante, leitor das notícias que vinham dele e seu governo. A divisão do seu país em dois países distintos, automaticamente julguei justo e necessário sem nem ao menos tentar entender mais nada e, simplesmente porque fui absorvido pela sinceridade de quem tão modestamente esclareceu, naquele texto, uma honestidade imensa e comprometedora, que punha para o leitor, dúvidas imensas sobre a capacidade que teria ele mesmo, de governar seu próprio país. 
Fernando Henrique Cardoso, que admiro muito, não o recebeu quando ele esteve no Brasil e isto, achei desnecessário e arrogante de sua parte, coisa que de modo irônico deve ter sido entendido pelo filósofo Havel, que nesse caso, segundo as notícias da época, ficou tomando umas e outras no hotel em que se hospedou, acho que em Copacabana. Nada mal para aliviar as tensões de uma governança num país de centro, jogado ao comunismo estupido, querendo mais da Tchecoslováquia, garantias de passagem de oleodutos ou coisas parecidas para preencher necessidades vitais numa R.R.S.S., desorganizada, cruel e destemperada.