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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Imperador

Coisa absurda esse negócio de futebol. Um sujeito qualquer, vira imperador sei la porque e daí coitado, fica andando de um lado para o outro com um monte de dinheiro e, dando cabo do tal dinheiro com "amigos". Mal tem tempo para perceber o tempo que desgasta o corpo físico numa velocidade fantástica, mais fantástica do que a vida louca que está vivendo. Muito curto o tempo! Longo mesmo, será o tempo de dureza, abandonado por todos, enfraquecido e viciado em vícios inimagináveis, sendo o maior deles o vício da glória, do imediato, do barato das noites insondáveis, de onde o espírito se retira e deixa, por ordem, o corpo se exultar, se perder em horas de uma outra agonia, diferente daquela que na claridade põe dúvida sobre o alcance da ousadia em curso. Uma agonia que enxerga claramente o fim, o derradeiro momento da farra, do festim troglodita, onde seu nome será esquecido sem nenhuma cerimônia, dando passagem a outro... Alguns, do meio artístico pelo menos, quando percebem a inutilidade de terem alcançado um êxtase maior, o fim das possibilidades no seu próprio modo de entender, suicidam-se, como já temos visto bastante por ai. Isto se dá mais entre pessoas envolvidas com música. No futebol, o que se vê mais são homens vivendo pelas periferias, muito mal aposentados e com muitas lembranças patéticas de um tempo. Tempo em que eles tratam de achar que foram os melhores jogadores. A dinâmica da vida não lhes dá a mínima importância, querendo mais é o tamanho da fatura, sem nenhum amor a coisa ou a causa, como queiram.