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sábado, 3 de março de 2012

Quem somos?

Minha pele cansada, manchada de sardas intercaladas e crescidas pelo tempo me dão certa dimensão do que ficou fraco em mim. Tudo enfraqueceu e mesmo assim, nos encontros que acontecem entre nós, três amigos de uma infância distante e todos três, exatamente com 63 anos, sinto, eu pelo menos, uma espécie de juventude momentânea voltar durante as conversas de inevitáveis lembranças do passado, da cidade de Baixo Guandu, onde crescemos por um período,... Breve período, como é breve tudo nesta vida. O resumo de nossas histórias mais do que se possa pensar não vão além do horizonte das montanhas do nosso lugar. Por mais cosmopolitas que tenhamos sido, nossa linguagem melhor, mais fácil, se dá aqui um rindo do outro, vivenciando o nível da desfiguração, da mudança da pele, da mentira de cada um sobre a própria disposição quando na verdade a queda é livre num voo alucinante onde a compreensão passa a ser o que há de melhor, livrando-nos os três das angústias que por muito tempo nos acompanharam. Hoje, neste voo, encontramos explicação para tudo e até mesmo para o nosso cansaço e, ironicamente, a maior barreira para manter-nos estáticos, parados aguardando alguma coisa, outra coisa... Além da existência, provavelmente de participação serena, tendo em vista a serenidade de nossas próprias vidas neste momento, exato momento. Num momento em que eu entendo melhor o monólito do filme 'Odisseia no Espaço', mas nem tanto.

2 comentários:

  1. Uma perfeita reflexão,valeu!

    Monica.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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