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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Depoimento I

Sinto-me na obrigação de fazer um depoimento para regularizar-me perante a mim mesmo:
No dia 7 de setembro de 2011 eu recebi um telefonema de um corretor do Rio de Janeiro chamado X e a sua corretora é chamada de XX. Este senhor prometeu-me realizar a venda do  apartamento que herdei da minha mãe em poucos dias e que também  regularizaria os documentos junto ao comprador em,... de modo que me pareceu tudo bastante bom. O motivo de ocultar os nomes é não despertar a lebre.
Um mês depois destas promessas, insistindo para que eu dispensasse meu inquilino, oferecendo-se até para pagar o aluguel correspondente, sem resolver a venda, passou a me dizer que um comprador havia deixado com ele uma quantia para me dar como sinal da compra e, que tendo em vista o bom andamento dos papéis,  esta quantia me seria entregue mediante um recibo válido por 15 dias, perdendo o mesmo, o valor caso o pagamento  completo não fosse realizado. A oferta do recibo ter validade de 15 dias, foi devido a minha resistência em aceitá-lo. Embora "o bom andamento", não estivesse nada dentro do prazo, finalmente ao final de quase 2 meses depois - novembro, aceitei o tal sinal, válido por 15 dias por entender que essa pessoa iria de fato resolver a venda, tendo em vista o sinal da compra. O tal recibo, me foi dado em nome do corretor em questão, o que fere, segundo o que estou informado agora, a obrigação do corretor, que deveria apresentar nesta ocasião, o vendedor ao comprador. Isto não foi feito. Também não foi feito, nem oferecido, um contrato de exclusividade (em geral de três meses), conforme estou informado.
A partir do tal recibo, falar com esse senhor X, que já não era fácil, ficou mais difícil do que falar com o presidente da república. Um dia, querendo resolver o problema, já bem desconfiado, sai de madrugada de carro, chovendo e partimos para o Rio eu e minha mulher. Chegamos na loja do indivíduo mais ou menos às 15 horas (de tarde) e ficamos esperando para de repente, vê-lo passar por nós, como se fôssemos absolutamente ninguém e, interpelado pela minha mulher ele disse: __ Preciso sair e não posso atender agora. Neste momento começamos a entender que estávamos lidando com uma pessoa absolutamente sem caráter   e, passamos a raciocinar então, sobre as razões, o porque de nos ter dado um sinal da compra. Sinal este, de prazo vencido, que me permitia desistir da venda sem nenhuma obrigação com relação a ele.
Até esse dia, do mais completo descaso por nós, não tínhamos cogitado ainda de desistir da venda,... mudar de corretor e passamos a imaginar então, o porque de tudo aquilo. Nossa conclusão não demorou: Nós morávamos em outro estado e se ele, conseguisse entrar no imóvel, descartar o inquilino, que na verdade não era só nosso inquilino, mas é também um amigo nosso, - inusitado para os parâmetros de alguém desonesto, que achava ser fácil tirar do imóvel uma pessoa qualquer, de poucos recursos e tomar posse de algo cujo dono morava longe, idoso e sem saúde para lutar uma luta demorada.
Estes acontecimentos ocorreram entre novembro e dezembro de 2011 e passamos a nos preocupar cada vez mais, pensando no pior e por isto, fizemos mais 4 viagens ao Rio, todas de carro e sempre para nada, entrando pelos meses de janeiro e fevereiro de 2012. O pior, era a certeza de que o senhor X estava sim, armando alguma coisa que não se concretizava para ele.
No dia 3 de fevereiro, quando já não tínhamos mais dúvida de que alguma coisa séria estava sendo armada, recebi o Email abaixo.



X da Corretora XX

3 fev
para mim

BOM DIA , eu estou numa situaçao muito dificil em relaçao ao imovel do sr ,o CPF que esta pedente esta demorando para atualizar, o rapaz da receita federal disse que esta demorante por que a idade da pessoa passa de 108 anos e por isso esta demorando, o comprador que me deu o dinheiro para passar para o senhor e pagar os documentos para que o imovel fosse legalizados esta me cobrando muito, esta brabo para o meu lado, eu nao sei nem o que fazer eu pesso ao senhor que tenha tambem um pouco de paciencia , porque o senhor que o resto do dinheiro e o comprador que o imovel regularizado mediante os cartorios, tenho fe em DEUS que vou resolver esta situaçao . 


Perguntas que surgem para o senhor X responder, referente ao Email recebido por mim no dia 03 de Fevereiro de 2012. 


1-      Quem é o rapaz citado no Email, da Receita Federal?
2-      Quem é o comprador do imóvel?
3-      Onde está o pedido de regularização do CPF  da pessoa de 108 anos?
4-      Onde estão os documentos  “regularizados até a presente data – 05/maio/2012?
5-      Se existe alguma reclamação por parte do senhor X a respeito da minha falta de paciência, gostaria que o mesmo apresentasse os documentos regularizados até a presente data. (05/maio/2012)
6-      Quem é o advogado responsável pelo andamento dos documentos do imóvel em questão?
7-      Qual é o número do CRECI desse senhor X?



Vejam acima o teor do Email que o senhor X me enviou no dia 3 de fevereiro de 2012 e as questões que vi surgir:

1- O rapaz da Receita Federal, na minha opinião está substituindo um advogado que deveria ter sido contratado com o desconto oferecido por mim no preço final do imóvel, conforme foi verbalmente combinado.

2- O tal comprador (nunca vi) e, segundo fui informado, deveria ter sido apresentado a mim pois o trabalho NORMAL  do corretor acontece assim, protegido por um contrato de fidelidade, em geral válido por três meses. Esse tipo de contrato não me foi oferecido, sequer mencionado apesar do sinal de negócio que me foi destinado. Esta negligência foi proposital, tendo em vista que o senhor X, desejava tomar posse do imóvel.
Minha certeza sobre a coisa do tomar posse se concretizou pelo fato de ficar conhecendo um senhor que acabei conhecendo na sala de espera da corretora XX. Ele (em voz baixa) nos contou que tinha vendido o apartamento dele através do senhor X e após ter recebido a metade do valor combinado, teve um infarto. Com isto, ficou afastado e ao voltar ao assunto, visivelmente debilitado, passou a receber (segundo ele) valores do tipo 150 /200 reais a cada vez que caminhando com dificuldade (constatamos), aparecia na corretora. Após um tempo frequentando (pela mais absoluta necessidade) um lugar como essa corretora, resolvi, no início de março de 2012, colocar outro anúncio de venda do imóvel. Ele então, o corretor, me ligou dizendo assim:
__ Senhor Alfredo, estou com o dinheiro para pagar o apartamento mas preciso entrar lá para verificar umas coisas junto com o comprador.
Minha resposta foi a seguinte: (Eu não estava no Rio e ele sabia disto) __ Não tem problema, o senhor pode me encontrar na portaria do prédio amanhã de manhã. Lá estarei e, resolvemos tudo.
Ele concordou e eu mais uma vez parti para o Rio de Janeiro, viajando a noite toda de carro, com chuva, passando mal e ainda por cima com o carro falhando. Quis a providência que as 5 horas da manhã do dia combinado eu estivesse lá, no lugar combinado e o sujeito não apareceu e nem deu a menor satisfação. Esta foi a última vez que nos falamos até o início de maio de 2012.
Tenho como testemunha desse fato, da viagem, o nosso ex - inquilino.

3- Pedido de regularização de CPF de pessoa com 108 anos, segundo o corretor, estava difícil de resolver e passou a usar esse argumento em favor da demora, do vencimento do seu prazo para o valor do recibo. Ora, sem os meios legais, através de um advogado e não outros meios, que desconheço, no meu entender é impossível de resolver, a menos que se tenha um rapaz - talvez seja assim - dentro da Recita Federal. Isto é o que imagino e ele diz claramente - " o rapaz da Receita Federal".

O motivo real da postagem desse depoimento no meu Blog é que o senhor X, me ligou no início de maio dizendo que queria a devolução do dinheiro = 10.000 reais, referente ao sinal do negócio e, provavelmente alguma coisa a mais referente a documentação que ele dizia ter em mãos e que nunca me mostrou nenhum. Até mesmo me disponho a devolver o sinal, mas descontadas as minhas despesas, riscos corridos, esvaziamento do apartamento a partir de novembro 2012 (Vagas eram alugadas pelo meu inquilino), que fazia uma sub locação permitida do imóvel. Com a dispensa dos moradores em vagas, meu inquilino deixou de me pagar a locação do imóvel - em acordo comigo, a partir de setembro de 2011, simplesmente porque ele, não tinha como me pagar a locação apenas do próprio bolso. Tratava-se de uma situação deixada pela minha falecida mãe que deixou tomando conta do imóvel, esse inquilino. Isto perdurou por mais de 12 anos e com a questão da venda, ele, o inquilino me ajudou permanecendo até o dia em que realmente vendi e entreguei o imóvel para um casal.

4- Tenho hoje a mais absoluta certeza de que não existe nenhum documento regularizado pelo senhor X a favor da venda do imóvel e se existe alguma coisa, tenho desconfiança (coisa para se investigar) de que foi conseguido de modo duvidoso.

5- Quando fechei finalmente o negócio com o casal comprador do imóvel, a primeira coisa que fiquei conhecendo foi o advogado da regularização e que foi regiamente pago pelos compradores, descontado do valor que me seria pago, conforme combinado, no cartório da negociação e em seguida, recebi a quantia total da negociação realizada.
Hoje, tenho a mais absoluta certeza de que procurar um corretor para fazer um negócio de venda de um imóvel é temeridade. Se a pessoa vendedora for abastada, conhecedora das leis e pessoas influentes, naturalmente que tudo corre melhor, mas se a pessoa "der pinta" de que não entende do assunto e de estar dependendo da venda, além de morar longe do local da venda, o risco de ter problemas e até perda do imóvel é grande. Isto acontece muito no caso de imóveis que dependem da regularização de documentos, o que da a impressão para o vendedor, de que é muito difícil. O corretor maldoso, desonesto, ao sentir a ignorância do proprietário, começa a jogar sujo.
O que o senhor X não imaginou é que nós, eu e minha mulher, reagiríamos a qualquer movimento suspeito dele. Viajamos 6 (seis) vezes ao Rio e lá ficamos por períodos de até 15 dias, aguardando soluções que jamais chegariam. Isto pode ser comprovado pelos períodos de ausência de nossa casa, com pessoa tomando conta e, pelo nosso ex-inquilino.

6- Sobre quem é o advogado do senhor X para dar andamento na documentação, sequer ouvi falar do assunto depois do primeiro contato.Não faço a menor ideia.

Esse depoimento estará sendo publicado em capítulos. O próximo será Depoimento II. O último será III. A razão dos capítulos é o meu cansaço ao escrever.


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