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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Renegado




Filme de faroeste do passado.  O glamour era uma cara feia, que não se intimidava com a poeira e carinhos eram apenas para as pistolas.
Hoje não existe mais glamour para quase nada, pois o excesso de oferta simplesmente  demitiu o “timing”, o ingrediente mais poderoso da composição do charme.  Hoje vale mais a pressa, a entrada da vinheta pontual.
O último renegado foi Marlon Brando e com ele foi-se a coisa toda. Sempre tive a impressão de que ele se inspirou em  Anthony Quinn, mas isto é coisa do passado que não morre, já que a arte tem esse poder. Seus valores dormitam em cantos, não morrem, pois sempre servirão de elemento de busca, inclusive na tentativa desesperada para compor novas vendas, orçamentos. Que ironia!!! Ironia porque se serve a isto, serve também às minhas lembranças, pobres doces  lembranças.
O cinema também era povoado por canastrões que inclusive, faziam dos tipos, canastrões como centro dos enredos, tal como Dean Martin, que sorria com a cara toda, longe da cena a que se propunha. Uma espécie de Rubinho Barrichello, feito para ser segundo... Até terceiro.
A irmã do cinema, a televisão, despreza talentos e só valoriza índices de audiência. Todo talento deve sucumbir a sua própria marca e estacionar num patamar. Trata-se de média, do QI médio. Difícil administrar!!!
Quando vejo Ana Paula Arozio pedir demissão, ou também a Ana Paula Padrão; fico pensando no sistema, na sua indigestão com o estudo, o aperfeiçoamento de uma pessoa dedicada ao seu assunto. A criação está dentro e não fora como quer a imposição do sistema. No sistema é preciso saber muito mais como se deixar levar, do que fazer uma criação e exigir a apresentação desta criação. É preciso ceder sempre ao campeão, um diretor que não é afinal de contas um diretor de artes, mas sim, de vendas na mídia, que faz produzir  a televisão 24 horas no ar. Pobre Denis Carvalho, que era ótimo contracenando com a Regina Duarte.

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