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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Lascas do Tempo Vivido

                                         O dia do meu batizado 
Sou um homem de 63 anos e ciente das minhas capacidades e das minhas incapacidades. Entre as minhas capacidades, estão  coisas do meu bom senso, lugar do cérebro onde mora o bom senso, mas vizinho muito próximo da família devaneios, que por sua vez conta com membros que adoram escrever, teclar e rabiscar palavras, seja lá onde for. Entre as minhas incapacidades, que são muitas, tem uma que durante muito tempo me intrigou, mas hoje, vejo que ao fim e ao cabo, é uma capacitação. Trata-se da dificuldade latente para trair. Nunca consegui trair direito. Toda vez que alguma coisa, situação me indicava a traição como possibilidade, a coisa acabava numa confissão prematura, traindo na verdade, o próprio ato te trair, porque trair, (hoje tenho a consciência plena disto), me tira o direito de olhar, de ver o outro com semblante desarmado. Claro que já fui jovem, passei tormentas e também com certeza atormentei, mas sempre, acabei podendo botar a cara no espelho e não sentir repulsa, vendo ali, um sujeito desses que abomino -  injustos, pilantras e cretinos.
Ler e escrever, sempre me atraiu e gastei bom tempo da minha juventude na  biblioteca da  família e por lá, reuni muito da formação curiosa que trago comigo. Adoro saber como funcionam as coisas, sentir nas mãos como funcionam e, quando se trata de uma pessoa, alguém que... a leitura, o tempo de bibliotecas, me faz considerar, preciso sim tomar precauções, para não me derreter. Não dá simplesmente para confiar no meu belo bom senso. Pensando assim, hoje em dia, transformo a visão sobre as pessoas do sexo oposto, em visões que se tem sobre companheiras,  mais das minhas filhas, que tenho duas, com seus problemas e casuísmos providenciais, assim como também os possuo, abrigando o que posso e deixando de fora o que não posso, valendo isto, como regra definitiva, para não me deixar envolver por nada além de amizade com outras pessoas, mesmo sendo uma pessoa que tenho certeza absoluta, atraente demais, principalmente devido ao fator palavra escrita que acompanho, sigo a cada nova composição. Se no coração não se manda, aos 63 anos se manda sim, pelo menos para mim, que preciso, que decidi respeitar a todos nós, meus conhecidos, amigos  e familiares, ao ponto extremo, se for preciso, de fazer um tampão de concreto sobre “o assunto”, quando é necessário.  - Mais ou menos o que se pensou – “Abafa o caso”. A expressão é ótima para explicar as pernadas da vida.
Minha companheirinha de longos anos me tem em rédeas mais curtas do que desejo e, não posso mudar isto, devido a imensa aproximação de nossas almas neste mundo onde desencontros são comuns e muito, muito pouco comuns, são mesmo os encontros, os que se dão por fios que correm juntos, sem embaraços  pela longa via da eternidade, como promessa, como idéia futurista, além da imaginação.  Tenho plena consciência da coisa de estar de bem com alguém e, não penso, nem por instante sequer, deixar escapar o que foi tão difícil  encontrar.

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