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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Angu a baiana



Miúdos de porco. O angu a baiana, feito com um sarapatel de miudos de porco, aqui em casa é um prato de uma vez por semana em certos períodos. Períodos que não obedecem a nenhum critério, mas acontecem mais nas épocas mais frias das invernadas de Guarapari.

O miudo é comprado na feirinha, sob encomenda, preparado com fervuras, limão e muita limpeza das partes necessárias, do que pouco entendo. Entendo mesmo é de elogiar a causa e sentar-me à mesa com o bico aberto.

A nossa pimenta malagueta é um coringa  para completar pratos especiais. Moqueca, feijoada e angu a baiana. Nossa pimenta recebe cuidados especiais para não azedar e por isto permanece em renovação a pelo menos uma década. Seu sabor é indescritível.
Pimenta no vidro não pode ser cheirada e a colherinha de seu uso deve ser inteiramente isenta de contato com os alimentos. Em hipótese nenhuma deve-se encostar a colherinha no alimento e depois usá-la para tirar mais pimenta. Trata-se uma heresia tocar o vidro de pimenta de modo casuístico. Pimenta não precisa ser ardida demais e tampouco, sem ardência. Precisa ter aroma, um aroma para quem já deixou de fumar, cuja química extrapola prazeres, pois junta outros, que somam à vida louca, uma certa calma, de quem observa o erro, a vida. Tudo de uma janela imaginária e perene, como será eterno o espírito que ora tributa o cheiro da pimenta de cheiro.

Para prolongar essa vida, louca, de espírito perene, o angu funcina como detergente estomacal. Muito bom comer angu para melhorar todo o organismo, Reparem que para se lavar as mãos, um pouco de fubá misturado com sabão faz uma limpeza minunciosa. Os antigos, sempre os antigos, que comiam angu como prato principal, sempre tiveram mais sobrevida. Um senhor meu conhecido faleceu a pouco, com 106 anos e foi basicamente alimentado com angu por toda a vida. Outra coisa é a banana, que também tem o poder de prolongar a vida.

Prolongar a vida ou não prolongar, é uma questão até mesmo, nos dias atuais, de direção, traçados de meteoros. Às vezes tenho friozinhos na barriga com meteoros que passam 'raspando' a algumas centenas de milhares de quilômetros da terra e tudo é inútil, pois os dias se sobrepõe para nos deixar viver, comermos o que de melhor se pode preparar com prazer, que aliás, é o grande segredo do prato. É preciso de um prazer de pelo menos duas pessoas e, não muitas mais, para se preparar um prato. É preciso de vidas em harmonia, com cumplicidade, amizade. Esse tempero, sinceramente é outro que procuro guardar com todo cuidado por aqui.


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