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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Tenho dó d'eu


                                              Ford Bigode

Tenho dó d'eu com bons motivos. Quando a minha mãe sentiu as dores do parto, ela estava em Baixo Guandú no ES. O hospital era em Aimorés MG. Essas cidades eram separadas por 7 Quilômetros e o carro de praça do seu Tolentino era um Ford Bigode com feixes de molas nas quatro rodas. Tal engenho, os feixes, não tinham sequer amortecedores e a estrada de chão em alguns trechos, era cheia de costelas de vaca. Por este motivo o velho Ford fazia o percurso dançando: Ia de um lado ao outra da pista dando pulinhos intermináveis e o meu avô, obrigava o seu Tolentino a correr devido a emergência. Diz a minha mãe que eu comecei a nascer na ponte, que ficava no meio do caminho entre as duas cidades. Fiquei dividido e até hoje não sei se sou de Baixo Guandú Espirito Santo ou de Aimorés Minas Gerais.

                                                  Costelas de vaca

Minha mãe hoje mora no andar de cima e só aparece de vez em quando. Domingo ela esteve conosco por ocasião da moqueca de lagosta que fizemos aqui em casa. Além da moqueca, era minha idéia comemorar antecipadamente o aniversário da minha filha que mora em Vitória. Ela, minha filha, não pode vir e fizemos uma quantidade menor de moqueca. As lagostas (congelamos) e, são as maiores que já compramos por aqui. É por isso que tenho dó d'eu. Ter que comer lagostas sozinho com a minha mulher.

                                           Moqueca de lagosta

Para os que exigem explicação sobre a presença de alguém que já partiu para o outro lado, tenho a dizer que é tênue demais para ser explicado e por isto vamos ficando assim, cada um com seu cada um.

2 comentários:

  1. Eu também de vez em quando recebo umas visitas...

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    1. Fernanda: Uma coisa eu já descobri sobre os mistérios da espiritualidade. É preciso estar aberto aos nossos sensores mais íntimos, para se perceber alguma coisa, alguma relação com o extra sensorial.

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