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quinta-feira, 29 de março de 2012

Sem freio

Uma vez levei o carro para oficina e o mecânico olhou constatou e disse:  __ É,... Ta sem freio! Isto eu já sabia, pensei. O que por acaso descobri ali, naquele exato momento, por uma espécie de alucinação momentânea, que eu também estava sem freio, porque minha vontade incontrolável, foi a de dizer o que eu já sabia, que era o seguinte: O carro foi trazido para oficina porque estava sem freio. Não falei, só pensei.
Volta e meia sou assaltado por coisas assim. Alguém fala o óbvio como se fosse uma novidade, alguém explica alguma coisa e eu não assimilo, alguém pensa alguma coisa e eu já comento o tal pensamento e, surpreendendo esse alguém: Cooomo? Você adivinhou o meu pensamento?
A evolução de tudo isto me assusta, mas não pelo que acontece e sim, muito mais pela minha pressa, minha necessidade de terminar cada coisa em que me meto.
Pergunto-me: Porque a pressa? Minha pressa é muitas vezes em chegar em casa, deitar-me, aliviar meu peso, como se meu espírito, alma, alguma coisa para incrédulos, me exigisse um descanso, uma parada. Assusta-me pensar na minha falta de paciência, o tanto de controle que sou obrigado a procurar rapidamente. Assusta-me pensar no poder, pensar na insalubridade de uma mente que pode estar em minha direção sem que eu sequer imagine isto.
Uma vez, segundo um amigo que assistiu o fato, disse que eu esbarrei num sujeito na rua ao saltar do carro e, o tal sujeito levantou a camisa e começou a puxar uma arma para me alvejar. Lembro-me do caso, devido a eloquência do meu amigo e nada mais. Sequer me lembro de ter esbarrado em alguém naquele dia quente, horroroso, de uma cidade decadente (Rio de Janeiro). Claro que o tal não atirou em mim, porque senão não iria esquecer ou então estaria morto.
Baseado no inusitado é que percebo a transgressão de permanecer vivo, eclético, intempestivo, conceituoso por gostar de redefinir as obras.

domingo, 25 de março de 2012

Ta rasgado





Já disseram os franceses que o Brasil não era um país sério, Os americanos já disseram que o Brasil era o seu quintal  e por ai vai. A plataforma de petróleo Chevron, furou na bacia de Campos até rachar o solo o que na minha opinião, não terá conserto porque não vejo como fechar um rombo desconhecido. O caso da rachadura é muito diferente de entupir um cano com pressão de óleo e isto, pelo jeito vai se ampliar de modo automático sem que ninguém possa fazer nada. Com isto, teremos, daqui para frente, um vazamento permanente de óleo 'in natura', enquanto os 17 indiciados pelo caso - "babau". Nos Estados Unidos, um brasileiro estuprador foi condenado a prisão perpétua (li na Internet ontem). Devia ter sido condenado a duas prisões perpétuas mas é impossível. No Brasil, os caras que estupraram o poço virgem de petróleo, na bacia de Campos, daqui uns dias estarão nos EUA, a salvo em suas casas. As perdas humanas, perdas ambientais marinhas não podem ser calculadas, devido ao tempo, a permanência do desastre atípico. Um desastre normalmente acontece e termina, diferentemente do que estamos comentando. Pior para o entendimento das autoridades é esse desastre que vai ferindo mais devagar, onde "especialistas" podem provar que a fissura foi fechada até o ponto de poderem retirar do local, a plataforma fatídica. A partir de então, através de uma advocacia muito bem paga, entregam o vazamento a sua maior vítima.
É estúpida a ideia de tirar petróleo em águas profundas e muito mais estúpido é tirar petróleo de águas profundas em poços profundos. A coisa fica meio que bailarino, balançando e se requebrando (águas profundas). No poço profundo a coisa fica como uma linha fraca segurando um touro bravo (plataforma), sem chance de estancar de imediato a quebra do cano. (coisa que já aconteceu há pouco tempo). Isto mostra o quanto é frágil a prospecção de petróleo no mar e quanta sorte têm tido as plataformas até o momento. Na medida em que crescem as necessidades e o número de plataformas, o risco aumenta.