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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Lindo garoto

Amei com todas as forças aquele garoto estabanado, meio desengonçado, aprendiz da vida como ela é e, não do modo que ele acreditava ser. Hoje em dia sei que amei mesmo! Sei que sua pele, suas amarguras, ansiedades, alegrias em instantâneos passageiros, pertenciam de fato a um ser em difícil inicio de evolução espiritual, perturbado que era por todo um mundo em torno dele, estranho, descabido, não entendido. Suas vãs tentativas de aventurar-se no que quer que fosse, eram sempre atrapalhadas, sem fundamento e... invariavelmente derrotadas. A personalidade que se formava não encontrava meios de basear-se para alcançar  nenhum objetivo. Tudo era cinza em sua visão de futuro. Cinza, nublado e abafado pelo entorno, dos companheiros, parentes e enfim, dele mesmo. Naquele tempo não tinha ainda contrabando do Paraguai, mas tenho a impressão de um contrabando batizado na origem daquele garoto.
Neste clima de derrota espiritual, conheceu sua grande amada na vida. Assim acabou definindo o que sentia pelo  namoro quase clandestino, reduzido a muitos minutos de profunda admiração por um rosto angelical, indefinido, onde palavras fluíam de seus mais lindos lábios como se brotassem de uma fonte da vida, que seriam jamais esquecidas. Quis o destino que suas palavras, sua face, seus trejeitos ficassem de fato gravados para sempre. Esta foi a uma fase decisiva na vida daquele garoto que nada conseguia erguer, simplesmente por ter ficado no chão, como um avião sem asas, amando o impossível, sem  ao menos pensar em deixar de lado a visão daquele amor insano.
Imagine-se um avião sem asas. Um trambolho insano, espaçoso que na melhor das hipóteses poderia virar um bar excêntrico, fundado por algum estrangeiro louco. Sei lá o melhor definitório para esse amado garoto. Hoje em dia a idade já acabou definindo por fim sua verdadeira natureza. Nasceu para observar, olhar o mundo e imaginar... imaginar o que seria melhor para o ser humano, sem no entanto, meter-se com o ser humano do entorno, o ser pensante, perigoso, vizinho, cruel por natureza, àquele que vende misericórdia, que  não a oferece de modo gratuito.  

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Tem mais coisa rasgando

A presidente da Argentina resolveu estatizar uma empresa de petróleo espanhola. Ora, isto é uma atitude desmiolada, anti democrática e burra. Se um dia houve um acordo, como por exemplo o acordo do gás entre o Brasil e a Bolívia, tal acordo pode até ser desfeito, mas com as devidas indenizações e resgates necessários. Isto se da entre sociedades sérias, acima dos políticos de plantão e de acordo com os estatutos dos contratos. A Argentina volta, regride, ao mundo do autoritarismo com esta atitude imoral. Não se trata de perder ou ganhar na barganha dos contratos existentes, mas do cavalheirismo democrático, que deve estar acima do bem e do mal. Neste caso, vejo na truculência do governo argentino, uma tentativa de golpe e a  burrice em tentar estatizar empresas de petróleo, para quem não tem tanto petróleo e, não pode como a Venezuela, esnobar o mundo com um Hugo Chavez falando o que quer e isto vai levar o país a um novo caos político, baseado apenas na reeleição de um mulher cujas unhas começam a mostrar o verdadeiro tamanho.
No mundo atual, globalizado, onde até mesmo o termo globalização já vai perdendo a localização e, isto, devido a aceitação do sistema pelo capital, não tem mais cabimento atitudes do tipo nacionalização ou, ditadura - seu retorno com todas as suas consequências. O próximo passo, com certeza será declarar nova guerra com a Inglaterra pela posse das Malvinas. Estas atitudes são próprias dos governos falidos, sem competência para reverter impasses e que não tem coragem para convocar o povo para o desafio de trocar o poder por outro, mais ameno, em melhores condições.