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sábado, 28 de julho de 2012

Soltamente III



Algumas almas têm um destino bastante específico no mundo dos vivos e se abastecem na depuração de emoções mais intensas e voltadas a criação de meios, situações que as levem para uma arena, onde os combates são deflagrados para o agrado de quem os promove. Parece mesmo que procuramos pela vida, combates para promover novas emoções, necessárias ao preenchimento de lacunas, mesmo nos expondo a perigos imensos, quando teoricamente se pode viver perfeitamente sem tais riscos.  É o que se procura; Viver sem riscos, mas o campo das idéias é muito vasto e mesclado por ciladas que absolutamente não são visíveis, transformando o inocente modo de pensar em rombos, crateras emocionais por onde se penetra e de onde não se consegue voltar. O porquê de tudo isto nunca é razoável, se analisado depois dos fatos.
A ampliação desse raciocínio nos leva a guerras e muitas outras mazelas humanas. O homem racional movido pelo bem estar social é apenas um sonho, pelo simples fato de que a construção sempre promove simultaneamente uma destruição, ou muito mais destruição, para se obter resultados que se tornam quase sempre duvidosos.
O outro lado desta moeda é o trabalho comprovadamente seguro e realizado de modo a canalizar paixões, relacionando o indivíduo com suas idéias e obras e não apenas com outros indivíduos de formas impessoais, o que deixa o sujeito exposto à entrada de,... Corpos estranhos, de idéias pouco seguras, que migram para campos minados. Campos estes que uma vez penetrados têm retorno tão perigoso quanto o caminho de ida.
A história humana está recheada de dramas causados por idéias e planos que desaguaram no que parecia ser uma boa causa e toda evolução humana passa, digamos que desnecessariamente por banhos sangrentos rumo a conclusões de que as perdas foram muito superiores aos resultados positivos e todas as sociedades ditas organizadas participam dessa estupidez de modo sucessivo, sem data marcada para interrupção em algum futuro.
Muitas destas idéias, dizem respeito ao amor, que tem uma linha tênue de separação ao ódio. Amor e ódio andam, pasme, de mãos dadas e por esse motivo é que a suspeita vive presente no coração dos amantes, seja por intuição ou conhecimento e o fato é que se sabe dessa proximidade. O amor tem uma força maior para alguns casos, como por exemplo, entre pais e filhos, mas entre amantes, meros desconhecidos e cheios de particularidades individuais, a dúvida entra como elemento de desinteligência, que é uma linha reta para um ataque inesperado e uma retaliação de igual veemência. Em geral é este o clima das paixões, onde as personalidades ficam expostas como ossos partidos.
Pitt não era diferente de outros seres humanos e a fragilidade do homem apaixonado em nada se comparava a do marinheiro em noites de tempestades quando seu barco mergulha em ondas sucessivas e intermináveis.
Seus passos diminuíam na medida em que se aproximava do bar, mas seu coração poderia ser classificado como disparado; Afinal, embebido pela idéia do reencontro e a manutenção de seu eu, ou de sua reserva, digamos que social, entrou cuidadosamente no bar, num horário em que o movimento já ia alto, em clima total. Encostou-se no balcão e pediu uma Vodka com gelo. Seus olhos corriam o salão em busca de seu bem mais precioso e aos poucos um misto de angústia e curiosidade se apoderaram de seu espírito combalido e disfarçado de forte. Sentiu então um dedo, supôs, lhe tocar as costas e virou-se calmamente para ter quem procurava a frente em ótica de profunda investigação.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Maior brasileiro de todos os tempos

O SBT é quem promove e eu votei para o Chico Xavier que foi em vida um mentor e agora continua a nos inspirar e informar sobre os caminhos para o espiritismo 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Soltamente II


Pelas vias de vida, por estranha força com que ele se rendeu a paixão e perdeu o controle de sua casca protetora, agora passou de acusador a vítima no tribunal de seu próprio coração ora despedaçado, sob o sol escaldante daqueles dias de verão tropical, devido aos estragos causados a pessoas ligadas, tais como mulher e filhos. O navio cargueiro havia aportado no Brasil, em pleno mês de março, quando os termômetros atingem 40* ou mais. Os bares são animados na praia de Copacabana noturna e as bebidas mais coloridas, assim como as mulheres, mais cintilantes sob o neon dos letreiros. Seus pensamentos não o perdoavam e sugeriam um abandono, um desserviço ao navio de tantas jornadas e a volta imediata aos braços de uma brasileira encantadora em outras terras, enquanto ainda podia decidir por uma passagem aérea. Sua casa, mulher e filhos que dessem outro jeito, ou mais tarde uma solução. Era preciso desafogar-se, emergir e atender ao clamor, o chamamento daquela paixão, que por estatística dura em torno de três a quatro meses. Não saberia mais como sobreviver à outra viagem interminável, abraçado pela dor do desencontro com o destino implacável. Estava movido por esses pensamentos quando olhou para o capitão, que lhe fazia como sempre companhia nestas noitadas de irlandeses pelos bares do mundo e pediu mais bebidas ao garçom para àquela mesa onde pairava em suspenso um reconhecimento geral sobre Pitt e sua tristeza exposta. Neste momento de decisão tomada, que se desenrolaria com uma ida ao banheiro e um sumiço louco, o capitão Ned, movido talvez pelos deuses do amor, anunciou uma mudança nos planos de viagem. Seguiriam novamente para o porto de Miami por ordem da companhia, justamente onde deixara parte de seu coração esvoaçado, por uma mulher muito especial, que lhe arrebatara as entranhas e de saldos extremamente doloridos. De imediato sossegou seu corpo na cadeira e se pôs a pensar mais racionalmente, como era sempre conclamado por Ned, a respeito dos trabalhos diários, nos caprichos e perigo dos mares. Aos seus olhos, um milagre estava em andamento e animaram-se todos os colegas, mal disfarçando suas satisfações com o novo destino daquele barco que nunca o deixara na mão, com seus intrépidos motores, agora lhe parecendo cúmplices, como se influenciasse de algum modo na vida de quem lhe dava cuidados de flanelas, chaves de aperto e óleos de lubrificação. Estranha análise, porém de certa valia quando o mundo acabava de lhe oferecer chão outra vez para que pisasse. Novamente estava pensando, restabelecera comunicação inteligível e as palavras do capitão, foram como bálsamo para um cérebro em chamas e trouxe calma para um longo trago na bebida forte, trago dos que convém a um marinheiro destemido. Voltara à vida e um longo caminho o levaria a ela e quiçá o quisesse ainda do mesmo modo, na mesma intensidade,... Estimava que nada estivesse alterado, que o amor falasse mais alto, porque assim daria outro destino àquela paixão desmedida.  
Os dias no mar se passaram embebidos de ansiedade como se minutos virassem horas e os dias meses.  Nada de acordo com a vida de um marinheiro obrigatoriamente acostumado a solidão das horas pacientes, agora transformadas numa contagem de minutos e segundos. Ao fim de uma semana em viagem, finalmente Pitt avistava o porto, suas luzes nervosas e insinuantes. Tudo se tornara extremamente lento. Atracação, alfândega e outras rotinas sofriam imensa crítica íntima e um desejo de liberdade só crescia em seu peito contraído. Por fim na rua, recompondo-se tratou de diminuir seus passos, estabelecendo uma mentirosa relação entre sua vontade e a razão. Assim caminhou até o bar de encontros, pronto a ouvir o pior, pois tanto sabor não poderia permanecer suspenso, inalterado.  

domingo, 22 de julho de 2012

Chame o Ladrão



Onde estamos vivendo?
Mais um ataque, ou não sei que nome dar a investida da polícia sobre um cidadão que poderia até ser um fugitivo, mas que mesmo assim dado ao aparato policial poderia ter sido dominado sem a morte do homem em questão.
Creio até que certos indivíduos possam mesmo chegar ao extremo de achar que é possível brincar com a polícia, fugir de uma blitz para quem sabe, contar aos amigos e, para estes, a punição pode ser simplesmente a morte tendo em vista o sentido dominador de policiais entre companheiros de corporação. Não sei como funciona exatamente isto, mas a vida ensinou-me que onde existe violência, a disputa pelo domínio, pelo comando daquele grupo, de modo paralelo, deve existir sim. Daí é que ânimos exaltados, desejam até que numa situação de blitz, apareça alguém, não importando quem seja, para ser perseguido e fuzilado.
A violência não se resume a corporações policiais, mas também e muito mais, a ambientes políticos e também corporativos. Estamos vivendo uma grande lacuna no Brasil onde certos crimes compensam.