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sábado, 1 de setembro de 2012

Colcha de retalhos



Tem gente que nasceu com destino melhor e se fosse comparada com a confecção de uma colcha, seria ... uma colcha de rendas, bordada a mão e com destino certo, o de ser guardado talvez, num baú, ou num guarda roupas, ou qualquer outro lugar que impedisse o seu uso frequente, diário, que enxovalhasse e surrasse suas malhas, trançagens e nós da longa confecção.

Meu caso na questão do destino não é nem de longe uma colcha de rendas. Procuro minha identidade desde sempre, sem encontrar. Não sou doutor em nada, desses que acabam virando uma bula com sapatos de cromo alemão, que agora se sabe, eram fabricados no Brasil enquanto a China não inventava de fazer tudo mais barato.

Como ia dizendo, não sou doutor em nada e já fiz de tudo nesta vida procurando um ponto de referência e, creio até que eu seja como a maioria das pessoas que se sujeitam a patrões, que não sei do que são feitos, donde surgiram e porquê são tão cretinos e inteiramente ligados ao patrimônio, como se isto, fossem levar para a eternidade. A crendice de que irão deixar para a familia não acho que seja verdade. Familia de verdade não precisa de fortuna, precisa de presença, carinho, construção. Tais indivíduos, patrões, são absolutamente todos, arrogantes, permissivos, coniventes e cafajestes... principalmente quando jogam na rua, um novo desempregado desacostumado em servir a outro cretino qualquer.

As pessoas nascem com uma estrela, como dizem, mas a estrela que brilha em cada um, brilha diferente e a estrela do sujeito sujo, sem escrúpulos, moldado para pisar em pescoços, tem um brilho tenebroso, fácil de se reconhecer, mas, ao mesmo tempo, têm esse reconhecimento poupado em nome de vantagens momentâneas que propõem aos seus subordinados e até a simples interlocutores.

Minha colcha é de retalhos. Andei pela vida construindo nada e sempre fui o que chamam de perdedor, enquanto os vencedores que assim me acusam, todos eles, com quem conviví de certa maneira, têm vidas que eu não desejaria a meu pior inimigo e eles, tais vencedores, em suas vidas imbecis pensam que se satisfazem lá em seus egos degenerados por submissões assombrosas, caso fossem mais investigadas. Impossível desvencilhar o estorvo de 10/11 horas por dia - 365 dias por ano, durante 30 anos dedicados a um patrão ou a uma instituição, truste qualquer, sem se ferir de morte por uma repetição que só pode ser comparada a um bom relógio. Talvez um carrilhão.

domingo, 26 de agosto de 2012

Ouvindo a MEC FM. É madrugada no meu sofá


Ouvindo a MEC FM. É madrugada no meu sofá.
Tão distante vão ficando os dias  de glória que me assusta o frio, a solução que me impus com esse capote quebrado e sem botões. Tão distante que me assusta ver a calma do passarinho a catar migalhas com seu frágil caminhar atento em troca da vida que parece medir como presente, dádiva preciosa, pelo poder de estar e não estar... ao simples toque de asas magníficas, transoceânicas, enquanto aqui, no reduto enferrujando de meus pensamentos mal arrumados podendo pensar o passarinho, seu status no natural, mas não podendo acompanhá-lo além do olhar, seu alcance.
Meus limites foram aquém, muito aquém dos meus sonhos e até dos meus pesadelos e me parece agora que tudo foi uma cilada, ver tanto e poder tão pouco... infinitamente menos que o passarinho, lindo, leve, solto, atento, com poder de voar. Tudo o que não sou e, que pensava ser mais, quase rasteiro, de alcance inútil, vulgar pronto apenas para ficar, fazer um nome, ceifar emoções e rir como Inês também sorri, por da cá  àquela palha a mentir, mais pra mim do que ao muro que me enclausura no absinto de escuridão eterna como ameaça aos meus maus modos, úteis aos meus lábios e as pontas dos meus dedos contaminados pelo perigoso convívio de um lugar.. ao sol. Imagine! Que besteira.