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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Reencontro



Hoje por uma lembrança e uma ligação telefônica fiquei suspenso.

Tenho insistido pela vida afora que a felicidade não existe. Existem momentos de felicidade e eles, tais momentos, são insustentáveis. Fica-se suspenso e isto, concluí melhor, a partir da leitura de um livro há bastante tempo. “A Insustentável Leveza do Ser”. Autor - Milan Kundera.

No outro lado da linha, um amigo dos tempos do exército, no RJ; um amigo de grandes afinidades na época e, que continua a mesma pessoa, assim como eu, que também mantenho o mesmo DNA. Uns mais outros menos, tenho amigos que vêm aqui em casa pelo menos uma vez por ano e todos (são 3) mantêm também os mesmos princípios. Uns mais outros menos, mas na média, são os mesmos. Isto me dá a medida da vida, da dose, da intensidade, da insanidade que paira do lado de fora e, mais, muito mais intensidade enquanto estamos reunidos. Nestes momentos a vida retrocede ao ponto em que paramos, com direito a respirar a vida real, mergulhando de volta ao passado. Engraçado para quem não está dentro. A máquina do tempo manifesta-se nestas ocasiões e só precisa ser inventada.

Poderia citar inúmeros episódios ocorridos e um deles, foi quando me encontrei, (como era de costume naqueles dias, da minha separação de mulher com quem vivera 15 longos anos e a dor... De corno que doía pra cacete) Bem, encontrei meu amigo e protetor no bar de costume para mais um dia de lamentação e sustentação da vida, quando eu lhe dei a notícia: __ Ela vai se casar. Ele então: __Nem te convidou? Minha vontade foi de esmurrá-lo, antes de começar a rir, misturado com a vontade de chorar. Foram dias em ele simplesmente ficava ali sabendo que não podia me largar, sabendo que eu estava à beira do abismo. Naqueles dias não tinha outra solução e ele sabia disto. O jeito era me acompanhar. Existe uma diferença dele para os outros dois. É que os outros não me suportariam.