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terça-feira, 30 de setembro de 2014

AUTOR; EDER MANOEL REZENDE

PERSPECTIVA (01)

BRASIL possível.

O mundo de prioridades e conquistas tecnológicas conseguiu superar a simplicidade que a vida exige para prover a curta passagem dos que o habitam e, por conseguinte, a maioria de nós, de alguma forma foi, por imposição sistemática, adaptada a uma existência individualista e egoísta, além de forçadamente concorrente, sucumbindo à hipocrisia regada de vaidades faraônicas.
Talvez, para melhor, o primeiro passo fosse o de admitir a desconexão quase que total entre pessoas e natureza.   
No que tange às conquistas materiais individuais, alguém consegue morar em duas casas ou dirigir dois carros simultaneamente?
Não se trata de discurso socialista ou comunista, apenas vislumbra-se que para uma pessoa só basta uma unidade de cada coisa. Isso considerando o aproveitamento e a utilidade em face da longevidade.
Para tal o desigual precisa se aproximar do igual e seria incondicional um grande debate aparador das arestas sociais existentes e a diversidade de opiniões deveria convergir para um aceite inteligente e majoritário.
Quanto ao cotidiano, diversas são as feridas. Um exemplo são as formas de preconceito. Nossa própria língua admite alguns conceitos incutidos até em texto de leis que simbolizam o nosso atraso. Vive-se a inveja, a intolerância, o racismo, a violência dos revoltos, o privilégio e a prioridade de alguns, tratam a descendência como importante, valoriza-se o homem urbano em detrimento do rural, utiliza-se comumente expressões absurdas, compara-se e julga-se subjetivamente.
Evidente que não é o mundo ideal. Sem utopia, o ESTADO deveria cuidar, além da saúde, segurança e educação, das crianças e dos velhos e prover com tudo aqueles em condições de trabalho que são os jovens ávidos por conhecimento e pela utilidade. 
É notório que esse ESTADO atual não é incentivador do avanço nas suas diversas formas e muito menos provedor daquilo que seria sua obrigação. Apenas é burocrático, fiscalizador duvidoso, arrecadador feroz, amedrontador, inibidor do empreendedorismo, fomentador do medo, algoz do povo e, nos bastidores, incentivador da ilegalidade e da corrupção.  
Trata-se de modelo falido que tem que ser reinventado e para tal teria de suportar as múltiplas mudanças imprescindíveis para cumprir seu principal objetivo que é o de prover a felicidade da população. O País, no todo, tem que valorizar sua riqueza natural, dividir, e o povo deve, também, crescer espiritualmente, crer na supremacia criadora, disseminar a não violência e abraçar a tolerância, ler mais, estudar e criar mais, abandonar a preguiça, dormir menos e ser patriota para merecer seu quinhão e, por conseguinte, conhecer e usar sua força.
Possível, quem sabe, é a oportunidade de uma nova CONSTITUIÇÃO, que se vislumbra democrática e sucinta, que sustente a ordem impondo ao governo e governante o reconhecimento da subordinação ao povo e a obrigação de prover o básico, cuidar de nossa defesa, dar independência aos Estados Federados, prestar contas da arrecadação e de sua destinação, facilitando a fiscalização que, de alguma forma, deveria ser, quanto aos membros, também, eletiva e, por conseguinte, independente. Nunca como o atual Ministério Público que não funciona face à sabida subordinação.
Para a nova Carta seria necessária uma formação de elaboração justa, com gente honesta, competente e que represente todos os seguimentos da sociedade pensante.
Pensar um modelo diferente do atual no que tange a formação dos membros do Poder Judiciário que, se eletivo na cúpula, poderia amenizar e afastar de vez privilégios e nepotismos ainda vivos por aí e trabalhar por tribunais céleres que cumpram seu objetivo que é o de intervir quando provocado para distribuir a justiça.
Quanto ao Legislativo, apenas a exigência de ficha limpa para concorrer a cargos representativos é pouco. É preciso pensar novos critérios para a eleição de deputados e senadores, afinal eles são procuradores de mais de duzentos milhões de pessoas que urgem por modificações fundamentais na legislação vigente. Daí não basta ser brasileiro e alfabetizado. Deveria ser exigido no mínimo um mestrado ou doutorado e isso não é discriminação, trata-se de requisito básico para um legislador.
Em resumo o que se propõe é a manutenção do modelo tripartite de Montesquieu, porém adaptado à realidade que exige não um compromisso, mas um juramento de fidelidade dos escolhidos para representar os donos do País, o seu Povo.
Deveras complexo será dar vida a uma teoria num País disputado por pretensos líderes executivos com suas promessas utópicas.
Continuamos não sendo sérios, mas seremos num dia próximo. 
A coluna continua, eis que tudo está muito resumido e os temas aí abordados servem apenas como base para um debate sobre uma PERSPECTIVA.

Éder Rezende – set/2014.